Reperto

Tabela de capotraste: que casa dá que tom?

7 min de leitura

O capotraste é uma pequena pinça que carrega em todas as cordas na mesma casa. O que faz cabe numa frase: sobe a pestana do instrumento pelo braço acima. Os teus dedos continuam a fazer as mesmas formas, mas o tom que se ouve sobe — é a maneira mais rápida de encontrar o tom que serve à voz. Este guia explica a lógica, a tabela casa–tom e a diferença para a transposição.

O que o capotraste faz

Cada casa da guitarra é um semitom. Põe o capotraste na 2.ª casa e todas as cordas sobem dois semitons; a corda grave solta passa a soar fá♯ em vez de mi. Os teus dedos podem continuar a fazer uma forma de sol, mas o acorde que a sala ouve é lá.

O ganho é este: tocas em tons difíceis sem perder o brilho das cordas soltas. Uma música em si bemol soa abafada só com pestanas; põe o capotraste na 3.ª casa, toca formas de sol e a guitarra abre.

A tabela casa–tom

Esta tabela responde a uma pergunta: para tocar no tom que precisas com as formas que já sabes, em que casa entra o capotraste? Procura o tom de destino na linha e lê a coluna da forma que estás a fazer.

Tom de destinoFormas de EFormas de AFormas de GFormas de CFormas de D
C835010
C♯ / D♭946111
D105720
E♭116831
E07942
F181053
F♯ / G♭291164
G310075
A♭411186
A50297
B♭613108
B724119
Casa do capotraste para um tom de destino. 0 = sem capotraste. Acima da 7.ª casa fica apertado; se duas formas servirem, escolhe a casa mais baixa.

Um exemplo: a música está em si bemol e queres usar formas de sol. Linha B♭, coluna G — capotraste 3. Se preferires formas de lá, capotraste 1 faz o mesmo serviço.

Para calculares sozinho, a regra é uma linha: a casa do capotraste é o número de semitons entre o tom da forma e o tom de destino. Para tocar si bemol com formas de sol, conta G → G♯ (1) → A (2) → B♭ (3). Capotraste 3.

Capotraste e transposição são trabalhos diferentes

Ambos mudam o tom que se ouve, mas trabalham em camadas diferentes e não se substituem.

TransposiçãoCapotraste
O que mudaO nome dos acordesA pestana do instrumento
A tua digitaçãoMudaFica igual
Quem envolveA banda todaSó o instrumento que o usa
A folhaÉ reescritaFica como está

Daí sai a divisão de trabalho: o tom é da banda — toca-se o que serve à voz. O capotraste é pessoal; é a tua maneira de chegar a esse tom. O baixista não usa e no teclado não há equivalente, e mesmo assim estão os três no mesmo tom. O guia de transposição explica a mudança de tom em detalhe.

Na prática: escreve o tom na setlist, não a casa do capotraste. As posições variam de guitarrista para guitarrista; o tom não.

Duas guitarras, dois capotrastes diferentes

O melhor uso do capotraste não é encontrar um tom, é criar textura. Quando duas guitarras tocam o mesmo tom a partir de posições diferentes, as disposições dos acordes mudam e o arranjo alarga-se sozinho.

  • Uma música em ré: a primeira guitarra faz formas de ré soltas, a segunda põe capotraste na 2 e faz formas de dó. Mesmos acordes, cores diferentes.
  • Em sol: uma toca sol aberto, a outra capotraste na 5 com formas de ré. A guitarra mais aguda acrescenta uma camada brilhante.
  • No estúdio funciona igual. Gravar a mesma parte duas vezes a partir de duas posições dá um som muito mais largo do que uma guitarra sozinha.

Acertar nos pormenores

  • Põe-no mesmo atrás do trasto — do lado da cabeça e bem junto, nunca por cima. Um capotraste muito atrás faz frisar.
  • Não apertes demais. Pressão a mais estica as cordas e sobe a afinação: confirma a afinação depois de o pôr.
  • Afina depois de colocar o capotraste, não antes. Ao contrário, vais ouvi-la a descer a meio da música.
  • As casas altas mudam o toque. Acima da 7.ª os bends endurecem e a entoação começa a fugir.
  • O capotraste de mola é rápido, o de parafuso é preciso. Se mudas de posição entre músicas, o de mola poupa tempo a sério.

Se duas músicas seguidas pedirem posições diferentes, mete entre elas uma fala ou a introdução de outro instrumento. Pôr o capotraste e conferir a afinação leva quinze segundos, e esse silêncio soa longo visto do palco.

Erros frequentes

  • Escrever a casa do capotraste na setlist em vez do tom. O resto da banda não faz nada com esse número: precisa do tom.
  • Achar que o capotraste muda o nome dos acordes. Se fazes uma forma de sol dirás «sol» enquanto a banda ouve si bemol — diz o tom que soa.
  • Esquecer de reafinar com o capotraste posto. É o problema de afinação mais comum no palco.
  • Querer resolver tudo com o capotraste. Acima da quinta casa a guitarra afina-se em som e as partes rítmicas perdem corpo; nalguns tons a pestana é simplesmente a melhor resposta.

O Reperto mantém tom e capotraste separados: a transposição vai para a banda inteira, enquanto o teu capotraste fica no teu aparelho e os diagramas de acordes são redesenhados à volta dele. O baixista vê o tom, tu vês as tuas formas com capotraste. O detalhe está no guia.

A FERRAMENTA PARA ISTOCalculadora de capotraste

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